quinta-feira, 9 de setembro de 2010

HOMEOPATIA E ISOPATIA




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HOMEOPATIA E ISOPATIA


Hahnemann não foi um entusiasta da Isopatia. Costumava referir que as secreções patológicas diluídas e dinamizadas por intermédio da sucussão deixam de ter qualquer relação de identidade com o produto original, persistindo apenas a de analogia. Na sua perspectiva, isopático e aequale são enunciações desajustadas, que para terem um rigoroso sentido, apenas podem designar simillimum, dado que não são de modo absoluto um idem.
Em nota do § 56 da 6ª edição do Organon criticou com alguma veemência o método isopático em virtude de não considerar o paciente como um todo, conduzindo o médico a um raciocínio demasiadamente simplista, estimulador da paliação em detrimento da cura operada pelo semelhante.

A Homeopatia fundamenta-se na cura do semelhante pelo semelhante – de homoios, semelhante –, enquanto que na Isopatia, igual cura igual – de iso, igual –.
Imaginemos um indivíduo que apresenta sintomas característicos de Arsenicum Album, patentes na Matéria Médica, nomeadamente alternância de excitação e depressão, prostração e esgotamento, agitação com medo da morte, de fantasmas, dores gástricas queimantes como se carvões acesos estejam a arder no estômago, e crises asmáticas da meia-noite às três horas da manhã. Atenta a similitude de sintomas poderá ser-lhe receitado o dito remédio. Estamos perante uma análise puramente homeopática. Suponhamos agora, que um outro paciente tem vindo a ingerir doses elevadas mas não letais de Arsenicum que lhe provocam distúrbios vários. Para que opere uma desintoxicação profunda vamos também ministrar-lhe o mesmo medicamento, sem que nos debrucemos sobre as características fundamentais do paciente. Aqui relacionamos o medicamento com a causa dos padecimentos, agindo na perspectiva da Isopatia.

Constantine Hering (1800-1880) foi um homeopata de prestígio, considerado o pai da homeopatia americana. É interessante referir, que a sua conversão à homeopatia ocorreu após ter sido incumbido de escrever um ensaio em que demonstrasse a sua real ineficiência.
Experimentou de modo acidental o remédio Lachesis, quando no seu laboratório procedia à trituração do veneno da cobra Lachesis Mutus. Intentava desvendar um sucedâneo mais eficaz à inoculação da vacina que Edward Jenner (1749-1823), descobridor da vacinação, havia investigado na Grã-Bretanha, já que esta se lhe afigurava demasiadamente perigosa.
O seu interesse pelo mencionado veneno e as experiências que realizou, conduziram-no à ideia de que entre outros, as crostas da varíola pulverizadas, a saliva de um cão raivoso ou qualquer produto ou agente de doença – verbi gratia, vírus, veneno –, quando preparados em conformidade com o método da farmacopeia homeopática – método que reputava praticamente infalível –, levariam à cura do enfermo.

Hering, mais do que um dos primeiros homeopatas a integrar o movimento isopático, deve ser encarado de pleno direito, o seu pai científico.

Este homeopata enunciou três leis – conhecidas por Leis de Hering –, cuja aplicação se estende à Isopatia, e que devemos ter sempre presentes:
1ª - O processo de cura progride de dentro – psiquismo, órgãos vitais – para fora – partes externas, tal como a pele –, das partes internas para as externas: uma úlcera do estômago que desaparece surgindo um eczema numa perna.
2ª - Os sintomas desaparecem na ordem inversa do seu aparecimento cronológico: desaparece uma úlcera surgida em 1998, depois uma arritmia com início em 1997, e finalmente dores erráticas que se manifestaram em 1992.
3ª - A cura progride do alto para o baixo, das partes superiores para as inferiores: eczema facial que desaparece surgindo numa perna.

Não olvidemos, que antes de Hering, muitos práticos utilizavam a Isopatia, podendo aqui ser referido Robert Fludd, que no século XVII empregou um manipulado de expectoração de tísico para tratamento da tuberculose. Paracelso, por sua vez, terá afirmado “que o que causa a icterícia cura a icterícia”.

Wilhelm Lux (1777-1839), veterinário alemão, apreciador da homeopatia com a qual entrou em contacto por volta de 1820, preparou em 1831 medicamentos que tinham por base o germe causador da enfermidade. Numa epidemia de mormo, prescreveu a secreção nasal de um dos animais doentes, na 30ª CH, tendo obtido curas surpreendentes. No ano de 1833 publicou “A Isopatia dos contágios – em que todas as doenças contagiosas trazem em seus próprios produtos de contágio o meio de cura”. Nomeou de Isopatia a terapia que trata a moléstia pela causa que a produz.

Ernest Stapf (1788-1860), foi seguidor directo de Samuel Hahnemann tendo utilizado segundo as regras da farmácia homeopática, as secreções e excreções patológicas dos enfermos, que depois de convenientemente preparadas, lhes eram ministradas. Com este homeopata, expande-se substancialmente a auto-isopatia. O seu método estruturou-se na administração aos enfermos das suas próprias secreções e excreções, diluídas e dinamizadas, secreções e excreções que pressupunha conterem a causa das patologias que os assacavam (auto-isopáticos).

Posteriormente, Dennys Collet, em missão na Mesopotâmia (1873), empregou como recurso, face à escassez de medicamentos, a isopatia em milhares de pacientes, tendo alcançado resultados extraordinários que narrou na obra: “Isopatia. Método Pasteur por Via Interna”.

Leon Vannier, foi também um devotado defensor da Isopatia, que passou a denominar pelo vocábulo Isoterapia.


JOSÉ MARIA ALVES


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